Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo

Forças na Escalada

Por Marco Aurélio Nalon
Ilustrações Thais Makino
Revisão Marilin Novak

INTRODUÇÃO
Ao longo dos séculos, as técnicas e os equipamentos para a prática do montanhismo, em todos seus estilos e variações, foram evoluindo, muitas vezes à custa de grandes perdas para os escaladores.

Essa história pode ser entendida como a busca de harmonia entre duas forças.

De um lado, a força de vontade dos seres humanos de estarem nas montanhas e de buscarem novos ambientes naturais; de outro, as forças da natureza – incontroláveis e maravilhosas, e com grande poder diante de nossa fragilidade.

Nosso conhecimento sobre as forças naturais também aumentou com o passar do tempo. Hoje temos ferramentas matemáticas e laboratórios que nos ajudam a testar e a simular grande parte das situações de risco em atividades na natureza.

O material a seguir é parte desse conhecimento. Em particular, falaremos sobre as forças envolvidas na atividade da escalada.

1- TIPOS DE FORÇA

Temos três tipos de forças na atividade da escalada:

Força estática: É o tipo de força que ocorre entre os elementos de um sistema, uns em relação aos outros. Por exemplo, entre as proteções fixas, os mosquetões e as fitas em um sistema de ancoragem.

Força dinâmica: Ocorre quando os elementos de um sistema são submetidos a uma aceleração ou a uma desaceleração. Por exemplo, durante a queda do escalador-guia.

Força de pico: São os extremos atingidos pelas forças dinâmicas, entre o repouso (ou seja, zero) e seus valores máximos. Essa força é de difícil determinação e medição, mas é a mais importante a ser entendida, pois serve de base para o dimensionamento de uso de todos os equipamentos de escalada e dos sistemas de ancoragem.

2- LEIS DE NEWTON

Vamos relembrar as famosas Leis de Newton, que nos ajudarão a entender esses processos de força.

Inércia: O que está em repouso tende a continuar em repouso, e o que está em movimento tende a continuar em movimento, a não ser que uma força externa mude esse estado.

Por exemplo, se o guia sofre uma queda, a força externa para mudar esse movimento indesejável é a mão do segurador. Ou ainda, se o escalador está pendurado na corda, parado, o segurador também pode mudar esse estado, descendo-o. Como vocês viram nesses exemplos, o papel do segurador é muito importante.

Ação e reação: Para toda força aplicada existe uma reação de mesma intensidade no sentido oposto.

Por exemplo, se durante uma queda o escalador-guia bate em algum obstáculo, ou mesmo pendula e atinge a parede, a energia que ele adquire durante a queda será transferida para a rocha, e em seguida devolvida a ele, podendo causar lesões. Também nesse caso, o segurador pode intervir de forma intensiva nesse processo: ou bloqueando a corda o mais rápido possível, evitando choques com obstáculos, ou deixando a corda deslizar um pouco no aparelho bloqueador, dissipando o máximo possível essa energia.

F = m.a: a força (F) é igual à massa (m) multiplicada pela aceleração (a).

No caso da escalada, a massa principal é a do escalador-guia, mas a massa do segurança também deve ser levada em conta. Já a aceleração é a inexorável aceleração da gravidade, cerca de 10 m/s2, ou seja, logo após 1 segundo de queda o escalador atinge a velocidade de 10 m/s (36 km/h), e a cada segundo a mais de queda a velocidade aumenta mais 10 m/s.

A função de todo sistema de segurança montado durante uma escalada é justamente permitir que a força da queda seja absorvida e neutralizada ao desacelerar o escalador-guia da forma mais suave possível, minimizando, assim, impactos e lesões.

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